domingo, 15 de abril de 2012

PARAÍBA: SUBORDINAÇÃO COMERCIAL A PERNAMBUCO (1755 A 1799)

PARAÍBA: SUBORDINAÇÃO COMERCIAL A PERNAMBUCO (1755 A 1799)

I- INTRODUÇÃO:

1- Definição: entre 1755 e 1799, a Paraíba perdeu sua autonomia administrativa (a administração, as rendas, etc.);

2- Causas gerais:

Ø Administração pombalina:

· Objetivo maior: fortalecer o absolutismo português e a economia de Portugal;

· Plano colonial: intensificação da exploração, daí a criação de companhias de comércio e a subordinação da Paraíba a Pernambuco;

Ø Justificativa: “fogo morto”: decadência da economia paraibana, principalmente a açucareira, após a expulsão dos holandeses.

II- CARACTERÍSTICAS GERAIS:

1- Objetivo: a criação de companhias de comércio que centralização a compra e a venda de produtos para região, objetivavam o controle da produção colonial;

2- Administração, defesa, as rendas passaram ao controle de Pernambuco;

3- Consequências:

Ø Reforço da subordinação á Pernambuco;

Ø Agravamento da crise econômica devido ao monopólio que solapava os recursos da região e como complicador a seca de 1777;

4- Resgate da autonomia: após inúmeros protestos retorna, parcialmente, em 1799 (finanças e defesa só em 1809).

PARAÍBA: INVASÃO HOLANDESA

PARAÍBA: INVASÃO HOLANDESA

I- CAUSAS DA INVASÃO:

1- Antecedentes:

Ø Pacto luso-holandês na lavoura canavieira no Brasil (capitais holandeses, refino do açúcar pelos holandeses);

Ø Espanha X Holanda: a luta pela independência (a região era de domínio da Espanha e consegue a independência criando uma inimizade entre essas nações);

Ø A União Ibérica: entre 1580 a 1640, Portugal foi governado pelos reis da Espanha; união das duas nações com controle espanhol.

2- Motivos da invasão:

Ø Embargo espanhol;

Ø Controle da região produtora de açúcar – o Nordeste.

III- DOMÍNIO HOLANDÊS NA PARAÍBA (1634 – 1645{alguns historiadores colocam até 1654}):

Ø Ocupação da capital em 1634 que passa a se chamar de Frederica;

Ø Domínio efetivo na capital e áreas da Zona da Mata;

Ø Modernização do forte de Santa Catarina (denominado de Margareth);

Ø Fortificação de áreas da capital;

Ø Introdução de novas técnicas de produção do açúcar (ex: moenda metálica);

Ø “Capitulação” da elite açucareira (liberdade religiosa, empréstimos, respeito à legislação portuguesa nas questões locais, manutenção da estrutura socioeconômica {escravidão, propriedade, etc}).

IV – FIM DO DOMÍNIO HOLANDÊS NO BRASIL:

1- Saída de Nassau: discordância com os novos rumos da politica colonial holandesa (o arrocho colonial);

2- Nova política colonial holandesa: O Arrocho Colonial (cobrança de empréstimos, diminuição da tolerância religiosa, isso com o intuito de aumentar o controle e a lucratividade da colônia);

3- Forma: A resistência anti-holandesa (A Insurreição Pernambucana).

Grécia

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PARAÍBA: SUBORDINAÇÃO COMERCIAL A PERNAMBUCO (1755 A 1799)

PARAÍBA: SUBORDINAÇÃO COMERCIAL A PERNAMBUCO (1755 A 1799)

I- INTRODUÇÃO:

1- Definição: entre 1755 e 1799, a Paraíba perdeu sua autonomia administrativa (a administração, as rendas, etc.);

2- Causas gerais:

Ø Administração pombalina:

· Objetivo maior: fortalecer o absolutismo português e a economia de Portugal;

· Plano colonial: intensificação da exploração, daí a criação de companhias de comércio e a subordinação da Paraíba a Pernambuco;

Ø Justificativa: “fogo morto”: decadência da economia paraibana, principalmente a açucareira, após a expulsão dos holandeses.

II- CARACTERÍSTICAS GERAIS:

1- Objetivo: a criação de companhias de comércio que centralização a compra e a venda de produtos para região, objetivavam o controle da produção colonial;

2- Administração, defesa, as rendas passaram ao controle de Pernambuco;

3- Consequências:

Ø Reforço da subordinação á Pernambuco;

Ø Agravamento da crise econômica devido ao monopólio que solapava os recursos da região e como complicador a seca de 1777;

4- Resgate da autonomia: após inúmeros protestos retorna, parcialmente, em 1799 (finanças e defesa só em 1809).

PARAÍBA: INVASÃO HOLANDESA


TEMA: PARAÍBA: INVASÃO HOLANDESA



I-                   CAUSAS DA INVASÃO:

1-      Antecedentes:

Ø  Pacto luso-holandês na lavoura canavieira no Brasil (capitais holandeses, refino do açúcar pelos holandeses);

Ø  Espanha X Holanda: a luta pela independência (a região era de domínio da Espanha e consegue a independência criando uma inimizade entre essas nações);

Ø  A União Ibérica: entre 1580 a 1640, Portugal foi governado pelos reis da Espanha; união das duas nações com controle espanhol.

2-      Motivos da invasão:

Ø  Embargo espanhol;

Ø  Controle da região produtora de açúcar – o Nordeste.

III- DOMÍNIO HOLANDÊS NA PARAÍBA (1634 – 1645{alguns historiadores colocam até 1654}):

Ø  Ocupação da capital em 1634 que passa a se chamar de Frederica;

Ø  Domínio efetivo na capital e áreas da Zona da Mata;

Ø  Modernização do forte de Santa Catarina (denominado de Margareth);

Ø  Fortificação de áreas da capital;

Ø  Introdução de novas técnicas de produção do açúcar (ex: moenda metálica);

Ø  “Capitulação” da elite açucareira (liberdade religiosa, empréstimos, respeito à legislação portuguesa nas questões locais, manutenção da estrutura socioeconômica {escravidão, propriedade, etc}).

IV – FIM DO DOMÍNIO HOLANDÊS NO BRASIL:

1-      Saída de Nassau: discordância com os novos rumos da politica colonial holandesa (o arrocho colonial);

2-      Nova política colonial holandesa: O Arrocho Colonial (cobrança de empréstimos, diminuição da tolerância religiosa, isso com o intuito de aumentar o controle e a lucratividade da colônia);

3-      Forma: A resistência anti-holandesa (A Insurreição Pernambucana).

GRÉCIA


TEMA: GRÉCIA

I-                    INTRODUÇÃO:

1-      Importância Histórica: Influência na cultura ocidental;

2-      Povoamento:

a-      Pelasgos (primitivos);

b-      Aqueus (micênicos);

c-      Eólios;

d-      Jônios (Ática > Atenas);

e-      Dórios (Peloponeso > Esparta).

II-                  PERIODIZAÇÃO:

1-      Período Creto-micênico (... – XI A.C.);

2-      Período Arcaico – Homérico ( XII – VI A.C.);

3-      Período Clássico (V – IV A.C.);

4-      Período Helenístico (IV – I A.C.).

III-                PERÍODO MICÊNICO (OU PRÉ-HOMÉRICO):

1-      Cidades-estados ou Reinos (principal Micenas, sendo período denominado dessa forma devido a sua hegemonia na época);

2-      Civilização Creto-micênica: encontro de culturas e a influência da cultura cretense sobre a civilização grega do período): cultura refinada.

3-      Expansão Micênica:

a-      Motivo: Pilhagem;

b-      Conquistas: Creta, Troia;

4-      Decadência dessa civilização: Invasão dos Dórios (povo guerreiro que devido a posse de armas de ferro provoca um “verdadeiro caos” na Grécia da época. OBS: alguns estudiosos contestam a veracidade desse fato);

4.1- Consequências dessa invasão:

a-      Primeira Diáspora grega;

b-      Regressão para uma fase rural-primitiva: o regime gentílico.

IV-               PERÍODO ARCAICO (OU HOMÉRICO):

1-      Genos (clãs): comunidades patriarcais lideradas por grupos familiares, onde as terras eram coletivizadas e a ideia de propriedade privada era muito acanhada);

2-      Economia:

a-      Agropastoril;

b-      Subsistência;

c-      Autossuficiente;

d-      “Coletivismo”;

e-      Pater-família (líder, privilégios de função);

3-      Desintegração do sistema gentílico: aparecimento da propriedade privada > classes sociais).

V-                 PERÍODO ARCAICO: AS POLIS (POLEIS):

1-      Esparta (Lacedemônia – Estado-Etnos):

a-      Oligárquica, agropastoril;

b-      Estrutura social: Estamental – “Patriarcal”:

Ø  Espartano:

- Cidadão (descendiam dos Dórios): sociedade militarizada;

- Educação Militarista > Ex: Kriptia (rito de passagem para fase adulta-militar, que consistia em matar hilotas);

- Infanticídio;

- Recebiam terras e hilotas do Estado (Kleros): não podiam exercer atividades econômicas, eram guerreiros “24 horas”;

Ø  Periecos: população submissa (descendentes dos povos nativos que habitavam a região (Lacônia) e que, conquistados pelos Dórios, se submeteram):

- Livres, mas tributários do Estado espartano (tributos, serviço militar);

- Liberdade de exercer atividades econômicas;

Ø  Hilotas: “Escravos do Estado” (descendentes dos povos nativos que resistiram a dominação dos Dórios e foram escravizados. OBS:  Alguns historiadores contestam a visão de escravos e preferem denomina-los de servos):

- Escravos – Servos do Estado espartano, seu trabalho sustentava as famílias espartanas;

- Revoltas constantes (o sistema de vida militarizado dos espartanos era voltado para a exploração e repressão dessa classe social).

c- Estrutura Política: Oligárquica (sistema atribuído a uma figura lendária: Licurgo):

Ø  Gerúsia: 28 gerontes, com mais de 60 anos; Administravam junto com dois reis (diarquia) a cidade;

Ø  Éforos (considerados o verdadeiro poder em Esparta): eram cinco com mais de 60 anos; cuidavam dos processos civis, da educação das crianças e da vida social dos adultos;

Ø  Ápela: assembleia dos adultos com mais de 30 anos; órgão consultivo.

2-      Atenas:

a-      Economia: agropastoril > comércio;

b-      Estrutura social:

Ø  Eupátridas (classe dominante, no início, tinha o monopólio da cidadania);

Ø  Georgois, Thetas e demiurgos (respectivamente, pequenos proprietários de terras, sem terras e comerciantes);

Ø  Metecos: estrangeiros;

Ø  Escravos: “mercadoria”; a escravidão podia acontecer por dívidas (depois esse tipo de escravidão será abolida), filho de escravo, capturados em guerras, etc).

c-      Estrutura Política:

Ø  No início era uma monarquia, sendo o rei auxiliado por um conselho de eupátridas: areópago;

Ø  Legisladores: A crise politica levou a instituição desses governantes:

·         Drácon ( 621 a.C.) : “Mítico”, leis escritas, leis severas (ex: alguns crimes eram punidos com a morte);

·         Sólon (594 a.C.): mais “sensível” aos problemas sociais: fim da escravidão por dividas, divisão social  censitária, etc.

Ø  Tirania (561 a 510 a.C.):

·         Crise política levou a instituição desse sistema. Diferente do termo atual, os tiranos seriam de cunho popular e reformistas (obras públicas, empréstimos aos pequenos proprietários, etc);

·         O principal foi Psístrato (após a sua morte seus filhos Hípias e Hiparco tentam dar continuidade, mas fracassam);

Ø  Democracia:

·         “Pai”: Clístenes;

·         Características: Elitista (só o cidadão), direta (o cidadão em assembleia decide), Ostracismo, Misthoy (“salário” para assumir cargo público), entre outras.



VI-               PERÍODO CLÁSSICO (500 A 400 a.C.):

1-      AS GUERRAS MÉDICAS: Gregos X Persas:

1.2-            Motivo básico: imperialismo persa (interesses: terras, escravos, tributos, domínio de rotas comerciais);

1.3-            As guerras: Invasão da Grécia pelos Persas:

Ø  Primeira Guerra (campanha de Dario I):

·         Pretexto: rebelião da cidade-estado de Mileto, apoiada por Atenas;

·         Invasão: 490 a.C.;

·         Derrota na batalha de Maratona;

·         Vitória grega.

Ø  Segunda Guerra (campanha de Xerxes): 480 a.C.;

·         Travessia do Helosponto;

·         Avanço pela Trácia;

·         Batalha das Termópilas (vitória persa);

·         Incêndio de Atenas;

·         Batalha naval de Salamina (vitória grega);

·         Derrote persa na batalha de Platéia;

·         Atenas continua o conflito, fortalecida pela  Liga de Delos, levando o conflito até partes do território persa.

2-      A GUERRA DO PELOPONESO (431 – 404 a.C.):

2.1- Definição: guerra entre Esparta e aliados (Liga do Peloponeso) X Atenas e aliados (liga de Delos);

2.2- Causas básicas:

> Rivalidades políticas: Democracia (Atenas) X Oligarquia (Esparta);

> Domínio, disputa de rotas de comércio.

2.3- A Guerra:

> Dura 28 anos;

> Batalhas em vários locais, dentro e fora da Grécia;

> Atenas é atingida por uma epidemia, matando milhares de atenienses, inclusive, o grande líder Péricles;

> Esse conflito termina com a vitória espartana e um breve período de hegemonia dessa cidade na região.

VII- PERIÓDO HELENÍSTICO:

1-      ANTECEDENTES: A MACEDÔNIA, O IMPÉRIO DE ALEXANDRE E OS REINOS HELENÍSTICOS:

1.2- Macedônia:

> Passa por um período de fortalecimento com Felipe II, pai de Alexandre. Esse rei impõe seu domínio sobre as cidades gregas, enfraquecidas após a guerra do Peloponeso e do breve período de hegemonia de Esparta e Tebas;

1.3- Império de Alexandre:

> Filho de Felipe da Macedônia, assume após a morte de seu pai;

> Formação do Império: em curto prazo (cerca de 10 anos), Alexandre promove uma grande expansão territorial, conquistando o grande império persa. Morre com pouco mais de 30 anos, provavelmente, assassinado;

1.4- Reinos Helenísticos:

> Surgem da divisão do império de Alexandre, após a sua morte, entre seus generais;

> Os reinos:

* Ptolomeu: Egito, Fenícia e a Palestina;

* Seleuco: Pérsia, Mesopotâmia e Síria;

* Cassandro: Macedônia;

* Lisímaco: Ásia Menor e a Trácia.

1.5- Helenismo:

> Conceito: Culturalmente: fusão de elementos da cultura grega com a cultura oriental, transformando-as em uma nova forma de expressão cultural;

> Algumas características:

* Escultura – pintura: Realismo (violência, dor, sensualidade);

* Arquitetura: Luxo, grandiosidade;

* Ciência:

- Ptolomeu: Geocentrismo;

- Erastóstenes: cálculo da circunferência da terra;

* Filosofia:

- Estoicismo (Zenão): Felicidade na virtude, equilíbrio interior;

- Epicurismo (Epicuro): Felicidade só existe na busca do prazer;

- Ceticismo (Pirro): “As coisas são como são”; não se deve julgar.


















domingo, 18 de março de 2012

Homem pré-histórico na China pode ser de nova linhagem humana

FOLHA.COM

Concepção artística do homem pré-histórico que viveu na região que é atualmente a China

Eles eram baixos, tinham o rosto achatado e dentes molares grandes, se alimentavam com carnes de veado, mas o crânio estava mais para um parecido com o dos homens modernos.

"Eles", no caso, são os homens pré-históricos que viveram 11.500 a 14.300 anos atrás (quando a agricultura ainda estava nos seus primórdios), cujos fósseis estavam em uma região a sudoeste da China, em Maludong (caverna do veado vermelho). Mais especificamente em duas cavernas.

Uma das possibilidades, dizem os autores dos fósseis, é que o grupo era de humanos modernos que deixaram a África e chegaram à China, mas não legaram nenhuma contribuição genética nas pessoas que atualmente vivem no Leste Asiático.

Outra hipótese da equipe australiana que encontrou os fósseis, da Universidade australiana New South Wales, é que essa combinação incomum de características arcaicas e modernas pode ser de um representante de uma nova linhagem da espécie humana.

O achado é formado por partes de crânios e outros fragmentos de ossos que pertenceram a pelo menos quatro indivíduos.

Além deles, havia restos de vários mamíferos, muitos de espécies que ainda existem hoje, exceto ao grande veado vermelho, extinto. Seus ossos, porém, que estavam no local em abundância --mostrando a predileção dos homens pré-históricos pela carne.

Os ossos humanos são particularmente interessantes do ponto científico porque os poucos encontrados na Ásia foram mal datados ou descritos, o que dificultou formar a história dos que viveram na região asiática.

A pesquisa, publicada na edição de hoje da revista "Plos One", teve a participação da Universidade Yunnan e de mais seis instituições chinesas e cinco australianas.

China: A águia e o dragão

Antonio Luiz M. C. Costa(em Carta Capital)

Vicejou nos anos 2000 a ideia de que os EUA e a China vivem uma simbiose, a “Chimérica”, um sistema único que representava um quarto da população, um terço da economia e metade do crescimento do planeta, no qual chineses financiam e abastecem estadunidenses que em troca lhes oferecem seu mercado consumidor e financeiro. Combinada à ilusão monetária causada pela subvalorização do yuan, que fez o peso do setor externo na economia chinesa parecer maior do que realmente é, essa meia-verdade criou a ilusão de que Pequim teria seu crescimento pautado pelos EUA e jamais ousaria desafiá-lo.

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Mas a reação da China à crise de 2008 mostrou que o país quer -continuar a crescer sem depender do Ocidente e tem planos mais ambiciosos do que lhe servir de periferia industrial. E o próprio inventor da Chimérica, o historiador britânico Niall Ferguson, passou a prever, em 2010, o fim da parceria.

Enquanto tentam promover o uso internacional do yuan com acordos bilaterais com parceiros comerciais, os chineses começaram a reduzir rapidamente o peso dos títulos do tesouro dos EUA em suas reservas. Em 2002, 75% das reservas chinesas eram denominadas em dólares e esse número pouco se alterou até 2006, mas caiu para 65% em 2010 e para 54% em meados de 2011: 1,73 trilhão de dólares em um valor total equivalente a 3,2 trilhões. No final de 2011, o valor parece ter caído para 1,15 trilhão. A compra de T-bonds representou apenas 15% do crescimento das reservas chinesas nos 12 meses terminados em 30 de junho de 2011, ante 45% em 2010 e 65% na média dos últimos cinco anos. Nem a crise do euro reverteu a tendência – pelo contrário, os chineses aproveitaram seu barateamento para acelerar a diversificação, enquanto países como Japão e Brasil continuam a financiar Tio Sam.

Outro movimento é o deslocamento do foco da economia, das exportações para o mercado interno. Isso significa reduzir incentivos e privilégios dos exportadores e melhorar os salários e benefícios sociais dos trabalhadores para que estes se sintam seguros para consumir mais e poupar menos. Ao mesmo tempo, aumenta a preocupação do governo com reduzir emissões de carbono e melhorar os padrões de saúde, educação e preservação ambiental.

É uma operação delicada, pois mexe com as estruturas econômicas e interesses consolidados e a transição pode criar desemprego em setores e metrópoles inteiras que se criaram em -função do mercado externo – como, por exemplo, Shenzhen, que saltou de 300 mil para 10 milhões de habitantes em 30 anos, ao se tornar a mais importante Zona Econômica Especial do país.

Significa também desacelerar o crescimento. Em 5 de março, o primeiro-ministro Wen Jiabao abriu a Assembleia Popular Nacional com o aviso de que em nome de um “crescimento sustentável e de melhor qualidade”, a meta de expansão do PIB em 2012 será de “apenas” 7,5%. É a primeira vez, desde que medidas anti-inflacionárias reduziram o crescimento a 4% em 1989-90 e criaram o clima para os protestos da Praça Tiananmen, que o governo chinês se atreve a deixar o país crescer menos de 8% ao ano. Hoje, o crescimento da força de trabalho é menor, mais de metade já vive em cidades e o êxodo rural é menos intenso, ao -mesmo tempo que a maior ênfase no mercado interno significa mais crescimento dos serviços e menos de indústrias de capital intensivo, absorvendo mais mão de obra com menos crescimento.

Isso joga água fria na fervura dos setores minerais e agrícolas de outros países que faziam a festa com o boom industrial chinês, mas pode ser bom para seus setores industriais. Com maiores custos de mão de obra e crescimento mais direcionado ao mercado interno, a China concorrerá menos e oferecerá mais oportunidades, enquanto se volta para produtos mais sofisticados. O país que desde 2007 é o maior exportador do mundo será em 2014 também o maior importador, segundo as projeções de The Economist. Superará os EUA no tamanho de vendas no varejo também em 2014 e em gastos dos consumidores em 2023. Vale lembrar que em 2010 já o ultrapassou em produção industrial, consumo de energia e vendas de veículos.

Mas a transformação da China em superpotência tem um aspecto mais incômodo para o Ocidente, que é o crescimento de seu poderio militar e estratégico. Sua capacidade militar há muito basta para a defesa, mas a transformação da nação fechada e autossuficiente da era maoísta em potência que demanda insumos de todo o planeta – inclusive da América Latina e África, que EUA e União Europeia, respectivamente, tratavam como seus “quintais” – implica, mais cedo ou mais tarde, em capacidade militar para dissuadir rivais de ameaçar seus aliados, fornecedores e rotas comerciais em todo o planeta.

Mesmo com o pé no freio da economia, Pequim amplia suas forças armadas. No orçamento de 2012, os gastos militares crescem oficialmente 11,2% (ante 12,7% em 2011) e atingem 106 bilhões de dólares e 2,1% do PIB. Ainda é muito menos que os 739 bilhões e 4,8% do PIB dos EUA, mas as projeções de The Economist sugerem que a China deve superar os EUA em PIB real em 2016, em PIB nominal por volta de 2018 e em gastos militares em 2025.

O que isso significa, em termos qualitativos, é mais difícil de prever. Em 2011, a China apenas começou a testar seu primeiro porta-aviões e seu primeiro caça furtivo (o Mighty Dragon J-20, comparável ao Raptor F-22 dos EUA), áreas onde Washington lidera há décadas. Seu arsenal nuclear, comparável ao da França ou Reino Unido, ainda é o de uma potência de segunda classe.

Rearmamento. Caça furtivo e porta-aviões mostram disposição da China de criar forças capazes de impor respeito ao Ocidente. Foto: Wang Xizeng/AFP

Mas os chineses já mostraram a seus rivais sua capacidade de queimar etapas (inclusive, por exemplo, com seu programa espacial) e são hoje a única das cinco potências nucleares tradicionais a expandir seu arsenal atômico. Segundo o Bulletin of the Atomic Scientists, tinham 240 ogivas em 2011 (EUA e Rússia têm cerca de 5 mil cada um). Só 40 delas, hoje, podem -alcançar os EUA, mas devem ser mais de 100 em 2025 e estão construindo novos submarinos e mísseis navais capazes de colocar a outra margem do Pacífico dentro de seu raio de ação. Além disso, a habilidade dos hackers chineses na sabotagem e espionagem cibernéticas surpreendeu o Pentágono, que reage com atraso ao criar sua própria força de “ciberguerreiros”.

E as articulações geopolíticas da China já são mundiais. Têm dois eixos que se sobrepõem parcialmente e permitem superar a Chimérica. Um, econômico e comercial, é o bem conhecido BRICS. Sigla criada em 2003 por um analista do Goldman Sachs para países que pareciam só ter tamanho e potencial em comum, tornou-se, a partir de 2009, um clube real, com reuniões anuais e políticas comuns (e a África do Sul como sócio menor). A “cola” que os uniu é a China, hoje a maior parceira comercial de cada um dos outros integrantes e sua aliada na maioria dos conflitos com os países ricos e na gradual construção de alternativas ao comércio em dólares.

O outro eixo, de segurança e defesa, é a Organização de Cooperação de Xangai, que abrange China, Rússia e as repúblicas ex-soviéticas da Ásia Central (exceto, por enquanto, o Turcomenistão), com a Índia, Irã, Paquistão e Mongólia como observadores: no conjunto, mais da metade da população da Terra. Fundada em 2001 para supressão de dissidentes, separatistas, narcotraficantes e “terroristas”, começou exercícios militares e projetos conjuntos de energia e infraestrutura e expulsou os EUA de sua base no Uzbequistão. Não é uma aliança militar rígida sob um comando unificado, como é a Otan ou foi o Pacto de Varsóvia, mas em termos práticos, a China assegurou prioridade no acesso ao petróleo e minérios da Rússia e Ásia Central que o Ocidente esperava controlar nos anos 1990 e a cooperação militar do Kremlin enquanto lhe faltam seus meios próprios de ação mundial.

Os EUA, por certo, não estão alheios a esse processo. Sua resposta é reformular sua estratégia e redistribuir tropas e comandos que, 20 anos depois do fim da União Soviética, ainda refletiam as prioridades da Guerra Fria, concentrando-se ao longo da extinta “cortina de ferro”. Nos últimos anos, foram criados comandos militares para a África e a América Latina, regiões antes asseguradas, mas onde hoje Pequim disputa influência.

E em 6 de janeiro, Barack Obama anunciou uma nova estratégia cuja prioridade evidente é prevenir a hegemonia da China na região da Ásia, Pacífico e Índico. Anunciou novas bases militares na Austrália e Filipinas, ofereceu apoio a Hanói, que disputa com Pequim o mar da China Meridional e tenta seduzir Myanmar e cortejar a Índia, para prevenir uma maior aproximação com os chineses. A queda de braço com os regimes da Síria e Irã também faz mais sentido como parte desse jogo de xadrez do que como reação à improvável ameaça de Teerã ao Ocidente. Trata-se de tentar mostrar à plateia afro-latino-asiática que o bloco da Eurásia não é forte o bastante para proteger seus pupilos quando a Aliança Atlântica se decide a agir. Mas como na crise dos mísseis de Cuba, há o risco de qualquer passo em falso fazer o jogo sair do controle – e, mesmo que o pior não aconteça, de voltar a fazer pender a ameaça de aniquilação sobre toda a humanidade por mais uma geração.